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segunda-feira, 14 de abril de 2014

A epidemia da "justiça com as próprias mãos".

Espancamento no Espírito Santo. / reprodução / facebook

As notícias sobre linchamentos proliferam nos jornais locais de todos os Estados brasileiros, mas não constam nas estatísticas. Segundo o Código Penal, o linchamento não é reconhecido como crime e por isso é difícil de calcular quantos atos ocorrem no país. A lista de ações de violência que têm como argumento penalizar crimes de rua é grande. Nos últimos dois meses, pelo menos 10 casos foram noticiados no Brasil. A situação é similar à que acontece na Argentina, que vive uma onda de linchamentos desde meados de março, já levou até mesmo o Papa a se pronunciar sobre a brutalidade dos atos contra ladrões. Apesar da repetição, que prova que não se trata de uma atividade isolada, o Brasil é imbatível em linchamentos, segundo o sociólogo José de Souza Martins, especialista no tema. "Há três anos atrás, eram três ou quatro por semana. Depois das manifestações de junho, passou a uma média de uma tentativa por dia. Hoje estamos a mais de uma tentativa de linchamento diária", explica.

A humilhação pública é o princípio do fim, que muitas vezes não acaba na delegacia, mas sim em morte. Um dos casos mais recentes foi o de um adolescente de 17 anos que morreu ontem em Serra, em Espírito Santo (sudeste do Brasil). O jovem Alailton Ferreira foi espancado por um grupo de pessoas que o agrediu com pedras, pedaços de madeira e ferro. Até o momento em que a polícia chegou ao local, segundo o blog Negro Belchior, da revista Carta Capital, não se sabia ao certo a motivação do espancamento. Especulava-se que o rapaz havia tentado praticar um roubo, abusar de uma criança ou estuprar uma mulher. Mas nada ficou comprovado. Também ontem, em São Francisco, no Maranhão um assaltante foi linchado na rua depois de roubar bolsas, joias e celulares de clientes de uma clínica, segundo o jornal local O Dia. Felizmente, outros vizinhos impediram que a agressão continuasse e ele foi encaminhado à delegacia.

Na quinta-feira, dia 10, um homem conseguiu escapar da ira dos vizinhos em Campina Grande, na Paraíba. Ele foi espancado depois que a polícia o flagrou com dois menores, uma menina de 12 e um menino de 11 anos, em sua casa. Segundo o site de notícias Paraíba Agora, os menores passariam por exame de corpo de delito para comprovar se o abuso chegou a ser consumado.

A mesma sorte não teve um jovem de 24 anos em Nova Crixás, Goiás, que morreu na segunda-feira, dia 7, depois de ser linchado por um grupo de moradores. O site Goiás News publicou um vídeo gravado pelo celular, em que a cena de extrema violência foi registrada. Isaías dos Santos Novaes, que já tinha passagem pela polícia por estupro, foi detido pela polícia sob suspeita de ter realizado um furto horas depois de uma criança de seis anos ter sido estuprada na cidade. Não havia indícios de que ele havia sido o autor deste crime. Por causa do furto, ele foi autuado e levado para um hospital, onde realizaria um exame de corpo de delito antes da prisão. Mesmo acompanhado de um grupo de policiais, centenas de moradores invadiram o hospital e bateram no rapaz até a morte, conta o site de notícias G1. Outro linchamento, de um suspeito de assalto em Teresina, Piauí, no dia 8 de abril, também foi gravado e as imagens podem ser vistas aqui. Somente esta semana, oito vídeos de linchamento foram colocados no YouTube.

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, um jovem de 15 anos foi linchado pelos moradores no domingo passado, dia 5, por acertar o irmão de cinco anos com uma faca, mas acabou morto com tiros na cabeça. Segundo a Polícia, o homicídio se deve a uma ação de gangue, motivada por vingança, o que não tira o peso do espancamento que sofreu na porta de sua casa, vítima de familiares e vizinhos, segundo conta o portal de notícias Terra.

Em março, os crimes já eram notícia. No dia 22, segundo o Correio de Uberlândia, um homem foi encaminhado ao hospital em estado grave depois de ser agredido por vizinhos que o acusavam de furto, em Uberlândia, Minas Gerais. No mesmo dia, a polícia conseguiu impedir a continuidade de um linchamento em Macapá, no Amapá. Os dois suspeitos de assaltar uma adolescente foram agredidos pelos pedestres que presenciaram o roubo. O G1 colheu depoimentos dos transeuntes e um deles, o auxiliar de serviços gerais Domênico Marques, de 41 anos, chegou a dizer que iam dar uma lição "nesses 'caras' porque não tem cabimento as pessoas suarem no trabalho para um homem desse vir e roubar à luz do dia", um discurso repetido também no ato de violência em Botafogo, no Rio de Janeiro. Naquele dia, um adolescente havia sido amarrado em um poste com um cadeado de bicicleta.
No mesmo final de semana dos linchamentos de Uberlândia e Macapá, um homem foi morto e duas mulheres foram espancadas depois de roubarem um táxi, em São Luis, Maranhão. Segundo informações do jornal O Imparcial, outros taxistas conseguiram localizar o veículo e atuaram por conta própria, junto a cidadãos que passavam pelo local, a dez quilômetros do centro da cidade. No dia 26 de março, o suspeito de estupro Jeferson de Souza Ramalho, de 18 anos, foi morto a pauladas e pedradas antes que a polícia chegasse ao local, próximo à Lagoa Mundaú, em Maceió, Alagoas. Segundo o site Folha do Sertão, ninguém foi incriminado, o que geralmente ocorre quando esses atos de violência coletivos são executados.

"Em 60 anos, um milhão de brasileiros participaram de linchamentos"

José de Souza Martins é doutor em sociologia e pesquisador do tema dos linchamentos no Brasil, uma investigação que leva há mais de 40 anos. Em seu último levantamento para o livro Linchamentos: a justiça popular no Brasil, que será publicado pela Editora Contexto no começo do ano que vem, o professor já aposentado calcula que "nos últimos 60 anos, um milhão de brasileiros participaram de linchamentos". Em uma entrevista pelo telefone, explicou algumas das razões pelas quais os justiceiros aumentaram sua atuação no país, em sua maioria, "motivados por estupros de crianças e incestos", explica.

Pergunta. Os linchamentos que vemos na Argentina e acompanhamos no Brasil desde fevereiro, quando o caso do rapaz preso a um poste em Botafogo, no Rio de Janeiro, apareceu em vários meios de comunicação, é uma bola de neve?

Resposta. Eu não estou acompanhando os casos na Argentina, mas certamente não é um caso isolado no Brasil, acontece em várias partes do mundo, como a África. No entanto, o Brasil é o país que mais lincha no mundo, e posso afirmar isso pelo material da minha pesquisa, nos últimos 40 anos. Existem linchamentos e tentativas de linchamentos. O caso do Rio, é uma modalidade de tentativa de linchamento, que há três anos atrás eram três ou quatro por semana, mas que depois das manifestações de junho, passou a uma média de uma tentativa por dia. Hoje estamos a mais de uma tentativa de linchamento diária.

P. E quais são as razões para esse aumento? As pessoas repetem os atos que são transmitidos pelos meios? Atuam por conta própria?

R. As causas são várias. O linchamento é sempre uma reação defensiva da sociedade contra o aumento da insegurança e da violência. Mesmo que haja violência e brutalidade no linchamento, se trata de uma reação autodefensiva, mesmo que seja injusta.

P. E quais são as motivações? Existe alguma constante?

R. As multidões geralmente reagem contra estupro de crianças e incesto. Os roubos pesam menos na decisão de linchar, não que sejam insignificantes, mas 3/4 dos linchamentos são motivados por crimes contra a pessoa. Meu cálculo, que fiz para o livro Linchamentos: a justiça popular no Brasil, é que nos últimos 60 anos um milhão de brasileiros participaram de linchamentos.

P. Dos casos que o senhor acompanhou, existe algum índice de impunidade sobre esses linchamentos?

R. Não existe o crime de linchamento. Fica difícil de utilizar os registros policiais para saber se está aumentando ou diminuindo, justamente por isso. Os que se veem envolvidos acabam sendo processados, mas existe o atenuante de crime de grupo. O Código Penal costuma ser benevolente nestes casos e raras vezes a polícia consegue incriminar. É muito difícil identificar as pessoas que cometem esses atos bárbaros.

NOSSA OPINIÃO

A violência crescente é uma realidade em todo o país. Fruto de três fatores principais: 

01 - Drogas - aqui incluído o tráfico (brigas entre gangues) e os crimes afins (cometidos por usuários desesperados por dinheiro).

02 -  Corrupção - que é o maior de todos os males, pois tira do povo os investimentos que poderiam fazer com que muitos não entrassem no mundo do crime - com mais educação, saúde, emprego, enfim, dando mais dignidade.

03 - Sistema penal falido - aqui se incluem desde policiais desmotivados/corruptos até nosso sistema processual que permite várias brechas para se pôr em liberdade criminosos perigosos.

Diante disso a população começa a entrar em estado de desespero. E ele é crescente. 

Vemos, a cada dia que passa, pessoas do nosso convívio sendo assaltadas, assassinadas, estupradas e percebemos que a qualquer momento pode ser conosco essa realidade tão temida. E o pior: pode ser com nossa família!

Como animais acuados, nos tornamos mais propensos a agir com o instinto de sobrevivência. Como um cachorro manso, pacato, medroso, mas que quando ameaçado age com suas últimas forças, agredindo seu agressor, fazendo justiça com as próprias mãos.

Isso tudo pois passamos a crer que não veremos justiça de outra forma. 

Os exemplos estão aí. Alguém tem que fazer alguma coisa. 

Remeto todos a uma postagem que fiz no começo do ano, que traz um pouco da experiência de Nova Iorque. Política de tolerância zero que funcionou por lá.... não sei se por aqui funcionaria.... mas o certo é que, a continuar como está, entraremos em breve num estado completo de barbárie!!!

Que Deus nos abençoes...


quarta-feira, 26 de março de 2014

Conheça a "Cartilha da FIFA" para os visitantes estrangeiros durante a Copa do Mundo!




Se depender da Fifa, o turista que vier ao Brasil para acompanhar a Copa do Mundo vai desembarcar no País com uma imagem ruim dos brasileiros. Em sua revista semanal, agora eletrônica, a entidade máxima do futebol dá dicas polêmicas sobre como se comportar no País durante os 32 dias da competição, que começa dia 12 de junho. Entre críticas e elogios, a Fifa afirma que os brasileiros não têm pontualidade e educação no trânsito. A entidade retirou a publicação do ar neste sábado.

Intitulada de "Brasil para principiantes", o texto trata de uma maneira crítica e bem-humorada os costumes nacionais. As dicas são ilustradas por uma imagem da Praia de Ipanema, com a Pedra da Gávea ao fundo, no Rio. Nas areias, duas mulheres de biquíni assistem a um jogo de futebol entre seis homens acompanhados do mascote oficial da Copa.

Segundo a Fifa, 600 mil torcedores visitarão o Brasil para acompanhar as partidas da competição nas 12 cidades-sede. "Se você é uma delas, aqui há 10 conselhos importantes para evitar mal-entendidos culturais." As principais dicas giram em torno dos costumes do dia a dia do brasileiro.

Entre elas está a falta de pontualidade para os compromissos e a flexibilidade dos horários no País. Dessa forma, a Fifa também faz críticas aos atrasos nas obras dos estádios do Mundial. "No Brasil é muito comum fazer as coisas no último minuto. A recomendação aos turistas é que tenham muita paciência. No final, tudo estará pronto a tempo. Isso pode ser aplicado aos estádios", diz o texto.

Os costumes dos brasileiros no trânsito, nas filas e nas casas noturnas também fazem parte da cartilha de Joseph Blatter. Dos dez tópicos, apenas um é positivo, quando a Fifa sugere aos turistas experimentar o açaí.

OS 10 ITENS DA CARTILHA

1. Sim nem sempre significa sim
Os brasileiros são otimistas e nunca começam uma frase com a palavra "não". Para eles, "sim" significa na realidade 'talvez". Quando disserem "Sim, eu te ligo", é melhor que não espere que o telefone toque nos próximos cinco minutos.

2. Horário flexível
A pontualidade é um conceito muito flexível no Brasil. Quando marcar com alguém, ninguém espera que estará no lugar combinado na hora exata. O normal é contar com uns 15 minutos de atraso.

3. Contato físico
Os brasileiros e as brasileiras não estão familiarizados com o costume da Europa de manter distância como norma de cortesia e conduta. Eles falam com as mãos e não evitam de tocar o interlocutor. Isso pode facilmente se transformar em um beijo se a conversa estiver ocorrendo em uma discoteca, por exemplo.

4. Fazer fila
A paciência na hora de esperar não é uma das principais virtudes dos brasileiros. Por exemplo, não existe uma "fila mecânica" como na Inglaterra. Os brasileiros preferem ser inteligentes, sempre se arranjando para chegar na frente.

5. Moderação
Quem se animar a ir a uma churrascaria, deverá praticar jejum de 12 horas e maneirar na hora de comer, já que as melhores carnes chegam na parte final.

6. A lei do mais forte
A regra que dá direito à preferência dos carros no trânsito é simples: o veículo maior passa na frente.

7. Proibido fazer topless
A imagem das mulheres com pouca roupa, tão típica no carnaval, pode ser enganosa e é diferente da realidade. É certo que os biquínis brasileiros têm menos pano que os europeus, mas as brasileiras nunca os tiram na praia, onde fazer topless é proibido e pode resultar em prisão.

8. A língua espanhola não vale
Os turistas que tentarem se comunicar em espanhol terão a sensação de estar falando com as paredes. A língua nacional do país é o "brasileiro", uma variável do português. Quem falar que Buenos Aires é a capital do Brasil, pode estar seguro de que será deportado imediatamente.

9. Experimentar o 'açaí'
As bacias da Amazônia fazem maravilhas: previnem as rugas e têm o mesmo efeito de uma bebida energética. Algumas mordidas podem recuperar o jogador de futebol mais cansado.

10. Paciência
No Brasil é muito comum fazer as coisas no último minuto. A recomendação aos turistas é que tenham muita paciência. No final, tudo estará pronto a tempo. Isso pode ser aplicado aos estádios. A filosofia dos brasileiros na vida pode ser resumida com a seguinte frase: "relaxa e aproveita."

Fonte: Estadão

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Viva a Copa do Mundo!!!

A copa do mundo está chegando e a cada dia aumentam os presságios de caos em nosso país!

Sinceramente espero que corra tudo bem, mas acho que tem muita chance de dar muita coisa errada...

Esse vídeo fala um pouco disso!


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Nike lança comercial para a Copa!


A Nike lançou neste dia 02/12 sua nova peça publicitária para a Copa do Mundo 2014. No vídeo vemos craques atuais e consagrados, em uma partida emblemática com os hermanos argentinos. Também é exibido o novo uniforme da seleção brasileira para a Copa.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Que tipo de médico o Brasil precisa?



Apesar do lançamento atrapalhado, o programa Mais Médicos tem se consolidado como uma hábil jogada do governo federal. As entidades que representam a categoria médica foram alvo fácil pela miopia política causada por lutas trabalhistas.

Em pouco tempo e com a ajuda de atos irracionais como o chamado à omissão de socorro do agora contrito presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais ou o indignante protesto contra os colegas cubanos dos médicos de Fortaleza, os médicos conseguiram se isolar da maioria da população e servir de combustível para aquecer a aprovação do governo nas pesquisas de opinião. Mas esse ambiente de polarização deixa de lado uma pergunta fundamental: que tipo de médico que o Brasil precisa?

A visão do estudante de medicina brasileiro é frequentemente resultado de um sistema que tem coerência interna na forma de enxergar seu processo de formação:

- a seleção é feita através de provas ultracompetitivas que demandam esforços adicionais no estudante;

- a carga horária é maior que a de seus colegas de outras faculdades, atende pacientes do Sistema Único de Saúde desde o terceiro ano e, se estiver em uma universidade pública, corresponde à justa retribuição pela pesada carga tributária paga no passado por seus pais.

Nessa ordem de ideias, parece absolutamente justo que a sociedade valorize social e economicamente esse imenso e longo esforço feito por esse médico quando formado.

Mas a coerência interna dessa visão não resiste à análise crítica, externa à categoria:

- os exames de admissão são realizados com perguntas sobre conteúdos que não fazem parte do ensino médio-padrão. Isso serve para excluir boa parte da população - quem duvidar, veja uma prova da FUVEST;

- os estudantes deveriam mostrar gratidão com os pacientes do SUS que realmente são compelidos a colaborar para sua formação como médicos – para um paciente do hospital universitário, se recusar a ser examinado por estudantes não é um a opção;

- o maior tempo que ocupam os estudantes de medicina nos seus estudos não significa que os esforços de estudantes de outros cursos sejam menores – a carreira de medicina requer uma carga horária extensa por necessitar de treinamentos técnicos nos hospitais. No entanto, outras carreiras exigem pesadas cargas acadêmicas e de criação que podem ser executadas em ambientes fora da universidade;

- não há sistemas de avaliação padronizados que demonstrem o aproveitamento desses estudos – afinal para o paciente o que importa é o resultado da formação e não a dificuldade do vestibular;
 
- os impostos pagos pelos pais não são poupança para pagar os futuros estudos dos filhos na universidade pública – se os pagaram é porque gabolsnharam mais renda que seus concidadãos. Antes, os estudantes de medicina de universidades públicas deveriam se considerar bolsistas subsidiados por muitos outros cidadãos que pagam impostos indiretos quando compram os itens de subsistência mais básicos – para saber o valor da bolsa, podem perguntar o valor de uma faculdade particular;

Tomara que algum dia essas bolsas de estudo de medicina de universidades cheguem às camadas mais pobres e que possamos afirmar com orgulho que nossas médicas parecem com suas mães empregadas domésticas e nossos médicos são a cara de seus pais pedreiros.

Cabe ainda assinalar que os que estudam em faculdade particular pagam pela infraestrutura docente, mas o custo para instituições de saúde e a colaboração dos pacientes não é necessariamente refletido nos vultosos boletos de matrícula.

O ex-ministro da saúde Adib Jatene forneceu a chave do problema há algumas semanas: as escolas médicas do Brasil estão focadas na formação de candidatos a especialistas e não em clínicos gerais ou “especialistas em gente”, segundo suas palavras.

Assim, um estudante de medicina no Brasil que desde o vestibular anseia virar ortopedista, quando faz estágio por obstetrícia sabe que o conhecimento sobre como fazer o atendimento pré-natal adequado só será necessário para ele ser aprovado  no estágio e depois no exame de ingresso na residência de ortopedia. Em outras palavras, nunca fará uso prático desse conhecimento.

Portanto, focará precocemente seus esforços naquilo que será seu futuro, participará de grupos de estudo especiais como a Liga da Ortopedia, e se não for aprovado no exame de residência na primeira oportunidade, logo após formado, seguirá tentando, no entanto, a fazer um cursinho (sim, existem cursinhos para exame de residência)  e dar alguns plantões para sobreviver (de preferência numa clínica ortopédica).

E onde leram atendimento pré-natal, podem ler também tratamento de tuberculose, esquemas de imunização, educação para prevenção de complicações da diabetes e outras atividades de atenção básica que se esperam de clínicos gerais.

O sistema está desenhado para que os grandes esforços que, sem dúvida, foram feitos pelos estudantes para se formar como médicos sejam focados em realizar uma especialização e não em ser bons clínicos gerais. Assim, nosso ortopedista formado após inúmeras noites de plantão termina encaminhando seu paciente ao colega dermatologista para tratar uma micose superficial da pele que não representaria desafio algum para qualquer clínico geral.

Um dos modelos aplicados em quase toda América Latina para aliviar a falta de médicos no interior dos países, o serviço social obrigatório, traz como feliz efeito colateral uma mudança de atitude no estudante de medicina.

O mesmo estudante que anseia em ser ortopedista no México ou Equador sabe, desde que é aprovado no vestibular, que deverá retribuir à sociedade pelo apoio dado por pacientes e instituições para sua formação, trabalhando em cidades do interior, em locais alocados pelo governo.

Nesse local, ele deverá atender a todos os pacientes que o procurarem, seja por malária ou por crise de asma. Dessa forma nosso futuro ortopedista mexicano ou equatoriano prestará grande atenção a todas suas aulas e práticas já que a expectativa de aplicação desse conhecimento é real, mesmo que depois ele seja aprovado para a especialidade de ortopedia, sabe que sua verdadeira prova como clínico geral está com os pacientes que ele deverá atender durante o período de serviço social obrigatório. E quando se tornar ortopedista, ainda continuará a ser um clínico geral que poderá solucionar problemas simples de seus pacientes sem precisar encaminhar a outro especialista.

Mas é possível ir além nessa discussão sobre a formação médica no contexto de nossa sociedade atual. Com que frequência os médicos informam a seus pacientes sobre o significado de seus diagnósticos, as alternativas terapêuticas e os convidam para fazer uma escolha conjunta sobre o manejo de sua doença antes de preencher o receituário?

O reconhecimento do indivíduo, independentemente de seu nível socioeconômico, como sujeito autônomo de direitos deve entrar também na porta de hospitais e ambulatórios. Esse é o verdadeiro significado dos esforços de humanização que, de forma valorosa, já fazem muitíssimos pioneiros, inclusive no SUS, mas que ainda não conseguem permear por completo as rígidas estruturas de muitas faculdades de medicina e hospitais universitários que continuam a focar na técnica e deixam a ética e a humanização como aulas teóricas, longe dos leitos e dos consultórios.

A discussão sobre que tipo de médico que o Brasil precisa ainda deve ser construída e essa é a oportunidade que as entidades médicas têm para virar o jogo e retomar sua interlocução com a sociedade. Alguns pontos dessa discussão foram esboçados anteriormente: o médico brasileiro deveria ser um excelente clínico geral antes de virar especialista. Deve enxergar o serviço social no interior como um incentivo para sua formação e valorizar seus pacientes como sujeitos autônomos de direitos.

A partir dessa discussão sobre o que se espera concretamente de um clínico geral, as entidades médicas poderão rever queixas até o momento nebulosas como o que significa em termos detalhados uma condição aceitável de trabalho para atendimento básico, dadas as diversidades geográficas e sociais do Brasil, e como avaliar se a formação de médicos brasileiros ou de outras nacionalidades coincide com esse perfil desejado de clínico geral.

Dessa forma o nível da discussão vai transcender os interesses eleitorais do governo e trabalhistas dos médicos para dar vez à construção de uma alternativa sustentável de atenção básica que contribua na materialização do direito constitucional à saúde para todos os brasileiros.

Ricardo Palacios é médico, formado no exterior com o diploma devidamente revalidado no Brasil, brasileiro naturalizado. Foi consultor temporário para projetos de pesquisa da Organização Mundial da Saúde e agora estuda Ciências Sociais na Universidade de São Paulo. As opiniões expressadas neste artigo não representam a posição de instituição alguma.

Fonte: www.cartacapital.com.br 


MINHA OPINIÃO

Dentre os inúmeros textos que já li sobre o tema este foi o que julguei mais sensato.

Conheço muitos médicos. Poucos são a favor deste programa. Os que são, curiosamente, trabalham na Saúde Pública. Conhecem de perto as necessidades e anseios dos verdadeiros beneficiados com este programa.

Dos inúmeros que já vi se manifestando contra, a maioria nunca trabalhou nem pretende trabalhar na Estratégia Saúde da Família. Por quê? Pois não se importam com isso. Preferem ficar ricos. Se eu os critico? De forma alguma! Estudaram muito e têm mesmo é que irem atrás de seus sonhos! Se o sonho é enriquecer, que o façam! 

Agora por favor não venham, de uma hora pra outra, alegar que se importam com a outra ponta da pirâmide! Dizer que os médicos estrangeiros vão tratar do nosso povo de forma ruim quando você, médico, brasileiro, simplesmente optou por não fazer isso é no mínimo contradição, pra não dizer hipocrisia!

Eles não fizeram o REVALIDA? Nem você! Eles não passariam? E quem garante que você passaria?!?!?

- Ah, mas eles são estrangeiros, logo, devem fazer o REVALIDA pra provar que têm qualidade!

Se os médicos brasileiros não precisam do REVALIDA então não existem meios de provar quem é mais qualificado!  E se a exigência é unicamente pelo fato de serem estrangeiros, então o problema é mais grave. Preconceito, xenofobia e outras coisas do gênero, na minha opinião, é caso pra polícia!

Por último, vejo muitos dizerem que não adiantam médicos sem estrutura, sem hospitais qualificados, enfim, sem a tecnologia! A estes eu pergunto o quê que era a medicina há 50 anos? Não existiam médicos? Eles não podiam fazer nada? Se não há estrutura nem médicos, ao menos agora, teremos médicos! Penso que um médico é melhor do que nenhum médico! Simples assim!

No mais, quero deixar claro que torço muito para que esse programa dê certo! Torço para que abram mais e mais Cursos de Medicina! Torço para que tenhamos em breve, tantos médicos que possamos, finalmente, ter saúde para todos! E que finde de uma vez por todas essa ganância por dinheiro, poder e status que tanto maltrata a todos nós!

É o que penso!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

When the sun comes out!


Vi esse vídeo no Facebook de uma pessoa que está morando na Irlanda, com o título “What happens in Ireland when the sun comes out!” – “O que acontece na Irlanda, quando o Sol cai”. O intuito do vídeo é mostrar a agitação dos barzinhos com happy-hour, porém o que me chamou a atenção foi a interação do taxista, que ao entrar numa rua tomada pelo pessoal, resolveu entrar na festa.

Que isso sirva de reflexão aos motoristas do Brasil, que infelizmente em muitos casos, teriam uma reação trágica numa situação como essa.

domingo, 23 de junho de 2013

Preparem-se!!!


PRA MUDAR O BRASIL, MUDEMOS NÓS!!!



"Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos ?" (Martin Luther King)

Façamos SEMPRE a nossa parte, pessoal! Não importa o quanto nos achem "babacas", "bestas" ou "abestados". Fazer a coisa certa e dormir com a consciência tranquila é uma filosofia de vida que devemos exercitar a todo o instante.

Sejamos, também, a mudança que queremos em nosso país!!!

 



quinta-feira, 20 de junho de 2013

O GIGANTE DESPERTOU!!!



A CNN, maior rede de jornalismo da TV americana e mundial, fez uma reportagem especial sobre os verdadeiros motivos por trás dos protestos ocorridos em várias cidades do Brasil.

Em tradução, o texto, intitulado "O Que Realmente Está Por Trás dos Protestos Brasileiros?", lê:
"Os protestos que estão acontecendo no Brasil vão muito além do aumento de 20 centavos no transporte público.

O Brasil está vivenciando atualmente um amplo colapso de sua infraestrutura. Há problemas com portos, aeroportos, transporte público, saúde e educação. O Brasil não é um país pobre e os impostos são extremamente altos. Os brasileiros não veem motivo para terem uma infraestrutura tão ruim quando há tanta riqueza e tantos impostos altos. Nas capitais estaduais as pessoas chegam a gastar 4 horas por dia no tráfego, seja em seus carros ou em transportes públicos lotados e de má qualidade.

O governo brasileiro tomou medidas para controlar a inflação cortando taxas e ainda não se deu conta que o paradigma deve mudar para uma abordagem focada na infraestrutura do país. Ao mesmo tempo o governo brasileiro está reproduzindo em menor escala o que a Argentina fez anos atrás: evitando austeridade fiscal e prevenindo o aumento dos juros, o que está levando a uma alta inflação e baixo crescimento.

Além do problema de infraestrutura, há vários escândalos de corrupção que permanecem sem julgamento, e os casos que são julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus. O maior escândalo de corrupção na história brasileira finalmente terminou com a condenação dos réus e agora o governo está tentando reverter essa condenação ao usar manobras inacreditavelmente inconstitucionais, como a PEC 37, que vai tirar o poder investigativo dos promotores do ministério público, delegando a responsabilidade da investigação unicamente para a polícia federal. Além disso, outra proposta tenta sujeitar as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso – uma completa violação dos três poderes.

Estas são, de fato, as revoltas dos brasileiros.

Os protestos não são meramente isolados, não são movimentos da extrema esquerda, como algumas fontes da mídia brasileira afirmam. Não é uma rebelião adolescente. É o levante da parte mais intelectualizada da sociedade que quer por um fim a essas questões brasileiras. A jovem classe média que sempre esteve insatisfeita com o obscurecimento político agora “desperta”.

 NOSSA OPINIÃO

Confesso que tenho medo das consequências desses atos, nem sempre organizados, que procuram protestar contra tudo e, ao mesmo tempo, não protestam contra nada.

A insatisfação é geral, disso todos sabemos. Todos temos algo a reclamar. Mas devemos refletir bem antes de irmos pras ruas gritar aos quatro cantos o que queremos. 

Será que sabemos o que queremos?

Sei que não quero a PEC 37, que não quero a CURA GAY, que não quero o RENAN CALHEIROS no SENADO, que não quero CORRUPÇÃO e que não quero o ATO MÉDICO.

Sei que quero SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA NOS PADRÕES DA FIFA, ou seja, de PRIMEIRO MUNDO, como deve ser em todo o Brasil!!!

Mas será que isso basta?

Será que estamos todos do mesmo lado? Será que alguns de nossos irmãos brasileiros, por um acaso, não possuem visões contrárias as nossas? E se eles quiserem a cura gay, a PEC 37 e o Ato médico? Estaremos todos juntos protestando contra coisas distintas? Será que isso funciona?

Será que não nos deixaremos influenciar pela mídia que a toda hora quer nos puxar pra um lado diferente? Será que nos deixaremos mascarar por algum partido político oportunista?

Confesso que tenho medo e, ao mesmo tempo, fico triste por não poder ir pras ruas neste momento. É aquele medo que te chama pra frente de batalha! Aquele frio na barriga que te dá forças pra brigar e lutar contra forças maiores!!! Nós temos essa força e sabemos disso! Finalmente sabemos disso!!!

Por isso, irmãos e irmãs, vamos pra ruas!!! Vamos protestar!!!! Mas sem esquecer que nem tudo aquilo que queremos será aquilo que interessa ao nosso irmão ou irmã!!! Devemos aprender, agora, a lutar pelo que entendemos ser nosso por direito, mas sem desmerecer o direito de protesto do próximo!!!

E o mais importante: façamos isso, de maneira respeitosa, sem vandalismos, sem ofensas, sem badernas!

Mostremos ao MUNDO que somos, sim, um país civilizado, mas que não somos, nem seremos, silenciados por força alguma. 

O PODER É NOSSO! FAÇAMOS BOM USO DELE!!!


terça-feira, 30 de abril de 2013

MPB: a história que o Brasil não conhece!


Filme baseado em um livro polêmico que retrata a forma como a Música Popular Brasileira foi destruída por ações estrangeiras que viam no Brasil uma ameaça à soberania da música americana.

As narrativas são convincentes e, até certo ponto, intrigantes!

A pergunta que fica é: trata-se de uma história real, contada em retalhos e com pitadas de ironia, ou na verdade é a mais sarcástica história inventada pra dramatizar e, quem sabe, explicar o porquê da decadência inexplicável de nossa MPB nas últimas décadas?

Formem suas convicções!

domingo, 8 de abril de 2012

Números gerais de leitores cai, mas Nordeste tem números acima da média nacional!




Dados da edição de 2012 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, mostram que os brasileiros estão cada vez mais trocando o hábito de ler jornais, revistas, livros e textos na internet por atividades como ver televisão, assistir a filmes em DVD, reunir-se com amigos e família e navegar na rede de computadores por diversão.

A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (28), revelou uma queda no número de leitores no país: de 95,6 milhões, registrada em 2007, para 88,2 milhões, com dados de 2011. O índice representa uma queda de 9,1% no universo de leitores ao mesmo tempo em que a população cresceu 2,9% neste período.

Foram entrevistadas para a pesquisa 5.012 pessoas em 315 municípios brasileiros entre 11 de junho e 3 de julho de 2011. Os entrevistadores classificam como leitores quem leu pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa. O resultado de 88,2 milhões de leitores corresponde a 50% da população total de brasileiros com 5 anos ou mais (178 milhões).

O número de entrevistados que afirmaram aos pesquisadores cultivar o hábito de ler durante o tempo livre caiu 8 pontos percentuais entre 2007 e 2011, de 36% para 24%.

No mesmo período, porém, a porcentagem de quem costuma ver televisão nas horas de lazer subiu de 77% para 85%. Vídeos e DVDs agora agora ocupam 38% das pessoas ociosas, contra 29% há quatro anos, e o hábito de navegar pela internet (mas sem de fato ler textos por prazer ou para se informar) aumentou de 18% para 24%. As reuniões com parentes e amigos também cresceu, de 31% para 44%. Os entrevistados puderam escolher mais de uma opção.






A ministra da Cultura, Ana Holanda, disse, após o lançamento da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que é preciso incentivar a leitura nos jovens. "Trabalhando com o jovem, a gente forma o leitor para a vida toda", afirmou. Para a ministra, é preciso afastar o jovem da ideia da leitura como uma obrigação escolar. "É preciso mostrar o livro não como uma obrigação escolar, mas como uma forma de ele conhecer dimensões que estão além dele, outras vias, outras realidades", declarou.

De acordo com o diretor do Ibope Inteligência, Hélio Gastaldi, o aumento da expectativa de vida e a redução da concentração de brasileiros em idade escolar é um dos fatores causadores da diminuição de leitores. Além disso, Gastaldi afirmou que a leitura está mais pulverizada em diversos meios.

A presidente do Instituto Pró-Livro, Karine Pansa, acredita que ainda levará tempo para que o Brasil alcance níveis de leitura considerados ideais."A gente olha para países com índice de oito livros por ano. São países europeus. Isso é um futuro longo e a gente vai ter que batalhar muito por isso", disse.

Karina disse que é necessário que os professores incentivem o hábito da leitura nos alunos, já que a pesquisa os aponta como as pessoas que mais influenciam os indivíduos na hora de ler."Se você ver o prazer que o seu professor tem pela leitura, você vai se perguntar o porquê. E vai, no mínimo, ter essa inquietude de querer saber por que ele gosta tanto daquele livro", afirmou.

Perfil


Atualmente, as mulheres são maioria entre as pessoas com o hábito de ler pelo menos um livro a cada três meses (57%), e as faixas etárias que mais reúnem pessoas com o hábito de ler são entre 30 e 39 anos (16% do total), entre 5 e 10 anos (14%) e entre 18 e 24 anos (14%).

A queda do número de leitores foi apontada em todas as regiões brasileiras, com exceção do Nordeste, que ganhou um milhão de leitores entre 2007 e 2011, e onde a penetração da leitura subiu de 50% para 51%. Hoje, 29% de todos os leitores brasileiros vivem nesses estados, contra 25% em 2007. Por outro lado, no Sudeste, a penetração caiu de 59% para 50% do total da população e hoje responde por 43% do total de leitores, dois pontos percentuais a menos que na última edição da pesquisa. Nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul vivem 8%, 8% e 13% dos leitores brasileiros, respectivamente.

Os leitores brasileiros leram em média 1,85 livro nos três meses anteriores à pesquisa, número menor que a média de 2007 (2,4).

Os textos escolares são lidos com maior frequência: 44% dos leitores que leem esse tipo de texto o fazem todos os dias, e outros 44% afirmaram que leem textos escolares de vez em quando. O livro no formato tradicional vem perdendo espaço para os outros suportes. Os leitores de textos na internet afirmaram que têm o hábito de usar esse suporte com frequência: 38% o fazem todos os dias e 42% de vez em quando.

Por outro lado, quase metade dos leitores (46%) que afirmaram ler livros em geral (ou seja, os que não são indicados pela escola, nem são jornais ou revistas) admitiram que cultivam esse hábito apenas uma vez por mês. Apenas 21% dessa faixa de entrevistados disse que lê livros em geral diariamente.

Ainda que o resultado da pesquisa mostra o enfraquecimento do hábito de leitura no país, os brasileiros se mostraram mais otimistas: 49% deles afirmou que atualmente lê mais do que no passado, e 28% admitiu que vem perdendo este costume. Outros 20% disseram que não aumentaram nem diminuíram o hobby de ler livros, jornais, revistas ou textos na internet.


Fonte: globo.com