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domingo, 14 de setembro de 2014

17 “fatos” que a escola te ensinou errado!

Em quem você confia mais, no Google ou em livros escolares? Pois é, pra qualquer pessoa que nasceu depois de 1990 a resposta é bem óbvia, mas as escolas não acompanham essa agilidade toda. Com professores velhos, repetindo coisas desatualizadas e um plano de ensino que também não faz muita questão de ensinar as coisas direito, aprendemos diversas informações erradas e passamos o resto da vida as repetindo.

Pra que você saia da caverna da ignorância e aprenda um pouco melhor antes de dizer que o Everest é o lugar mais alto ou que “é claro que centopeias têm 100 patas”, selecionamos aqui algumas das mentiras mais populares do ensino básico:

1) A mais alta

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O Everest não é o pico mais alto de Terra, e sim o vulcão Mauna Kea, que, apesar de ter seis mil metros abaixo do oceano, é 2 mil mais alto que o Everest. Ou seja, ele é maior tanto pra cima quanto pra baixo.

2) O mais inóspito

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E o Saara, por sua vez, não é o maior deserto do mundo, e sim a Antártida. Afinal, lá não há chuvas e poucas espécies sobrevivem – ninguém disse que um deserto precisa ter areia!

3) Olé!

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Não é que touros não gostem de vermelho. O que eles não gostam é de uma pessoa desafiando eles, como um toureiro balançando uma capa. O vermelho só ajuda por ser uma cor viva, que possivelmente eles nem conseguem enxergar.

4) Habibi Noel

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O Papai Noel original vem de mitos da Turquia, inspirado por São Nicolau. Como a areia do local que vive virou neve, ninguém sabe.

5) Dom Perignon

Dom Perignon White Wine Mission hosted by Serge And Tatiana Sorokko with Menu by Richard Geoffroy

Se você acha que foi ele o inventor do champagne, na França, errou de novo. Os burgúndios, que habitavam a região hoje alemã, já consumiam a bebida há mais de 1 século antes do monge francês aprender a receita.

6) Tô bege

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A cor do Universo, na verdade, seria bege, e não preto – de acordo com astrônomos!

7) 24 horas é mesmo?

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Se pensarmos que na verdade a duração de um dia varia de acordo com o tempo que a Terra levou para completar sua rotação, dá pra entender porque esse não é um número exato. A maior parte dos dias tem mais ou menos 24 horas,  mas eles podem se alongar ou encurtar.

8) Deus da guerra

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O planeta Marte não é vermelho. Na verdade, essa é a cor de sua atmosfera, assim como a da Terra é branca e azul, cores que nenhum de nós vê no chão ao caminhar em uma avenida movimentada, certo?

9) Como assim?

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Sólido, líquido e gasoso. Talvez plasma. Esses são os estados possíveis para a matéria que existem, certo? Errado. Na verdade, existem mais de 15 deles – alguns unicamente observáveis em ambientes de laboratório ou teorias.

10) Mentiras, mentiras

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Então, a centopeia tem esse nome por ter cem pés, certo? Mas o problema é que na verdade centopeias com 100 patas são raríssimas, já o número pode variar entre 15 e 191 pares, o que torna o feito de achar uma com 100 pés mais ou menos como achar um trevo de quatro folhas.

11) Timidez

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O avestruz cava, sim, mas não é para enterrar a cabeça, e sim os ovos. Por algum motivo, como muitas outras coisas que aparecem frequentemente em desenhos animados, as pessoas começaram a associar esse “comportamento de defesa” ao animal, o que não passa de ficção.

12) Coelho por lebre

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O Pernalonga, na verdade, não é um coelho, e sim uma lebre. Por isso ele é cinza, e não branco!

13) Mosca por cachorro

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E a Laika, o “primeiro” animal a ser mandado para o espaço, na verdade não foi a primeira. Quem ocupa esse posto é uma mosca.

 14) Perdido na tradução

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Se você acha que seu nome é ruim, imagine só o pobre Mozart. O nome dele era Joannes Theophilus Wolfgangus Crisostomo Mozart. “Mas e o Amadeus?”, você pergunta? Esse era na verdade um apelido que um príncipe prussiano lhe deu, Wolfgang Gottlieb, ou “wolfgang amado por deus”. Mozart gostou tanto do nome que começou a assinar cartas com ele, e daí a associação.

15) Até deu sede

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A água não é “insípida, inodora e incolor”. Essas são características da água destilada. As naturais têm íons, sais minerais e outras substâncias que podem dar tons coloridos (como azul e verde) e também sabor. Além disso, só a água ao nível do mar ferve aos 100º; na verdade, quanto mais alto o local, mais rápido.

16) Já vi maiores

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A Baleia Azul não é o maior animal do mundo, e sim o verme Lineus. Enquanto ela chega a 33 metros, ele vai até os 40. Imagine um desse em você.

17) Tinhoso

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A vida inteira você teve calafrios ao ver o número 666? Pra você é a mesma coisa que fazer macumba escrever isso em algum lugar? Então, desculpe te decepcionar, mas, de acordo com pesquisadores britânicos que estudaram as escrituras originais da Bíblia, o número é 616. Exatamente, 666 foi um erro de tradução.

Fonte: 24 horas News

terça-feira, 28 de maio de 2013

No país do funk, pianista é vaiado por crianças de escola pública!



O pianista André Mehmari é um dos maiores fenômenos da música instrumental surgida no Brasil nos últimos tempos. Quem acompanha o gênero conhece certamente a sua técnica espantosa, sua fluência única e sua capacidade de transitar com sobra entre os estilos da música popular e da música de concerto. Seu recital recente na Sala São Paulo remetia, sem medo do paralelo, a uma versão brasileira do paradigma Keith Jarrett, o pianista que tem o instrumento como uma extensão total do corpo e que improvisa numa zona sem fronteiras entre as formas que o piano acumulou. Mehmari relata no Facebook uma experiência recentíssima e a seu modo chocante, que desafia a nossa capacidade de ler o estado atual das coisas.

Antes de passar a ela, uma observação a mais sobre a comparação entre Jarrett e Mehmari, marcando agora não a semelhança mas uma diferença estética, para não deixar a comparação de passagem num plano muito simplista. Jarrett é angustiado, problematiza o silêncio que o ronda, envereda pelo fragmento e pelo choque, entre o jazz, a música clássica e os impasses da arte moderna. Mehmari é de uma musicalidade sem dramas, de fundo romântico, que jorra nos moldes daquela que a lenda consagrou como sendo a de Villa-Lobos, que não conhece nem coloca limites à sua inesgotável capacidade de expressão.

Vamos aos fatos. André foi participar de um espetáculo para 600 crianças de escolas públicas, com idades entre 10 e 12 anos, num dos teatros municipais de Campinas, no bairro da Vila Industrial. Acho que o programa se chama “Ouvir para crescer”, e se iniciava com uma parte em que atores apresentavam de maneira divertida, caracterizados como palhaços, as características da linguagem musical. Até aí o roteiro pedagógico-cultural transcorria sem sustos. Em seguida entrava André, que apresentaria músicas de Ernesto Nazareth, fazendo as pontes, que ele é mestre em fazer, com outros repertórios. Ao começar uma explicação sobre a sua participação, e mesmo antes de tocar, começou a receber vaias e xingamentos pesados, intensivos, que se multiplicaram e continuaram ao longo de toda a apresentação.

Mehmari é uma pessoa sem pose, suas apresentações são informais e guiadas pela vontade sincera de contribuir. A rejeição não se aplicava a eventuais pompas ou a alguma ostentação de atitude. Imagino que ela se dá, primeiro, na passagem do tom divertido da primeira parte ao tom mais sério e concentrado que ele imprimia. Junto com este vêm certamente, misturados na reação cega da massa de xingamentos, o peso oficial da escola desacreditada, confundido com o estranhamento de classe social, que o pianista deve ter encarnado involuntariamente naquela situação ao mesmo tempo específica e sintomática.

Antes de qualquer outra consideração, é preciso dizer que a reação cega e coletiva ao outro, informe, não elaborada, dada de antemão e deixando sem ação os monitores do programa ironicamente intitulado “Ouvir para crescer”, com o agravante de que vinha de pré-púberes, é um sinal, entre outros, de pontos de ruptura no tecido civilizatório que passa pela escola. Notícias recentes, vindas de muitas partes, de violências no espaço escolar, dentro ou fora da sala de aula, indicam essa espécie de liberação do ataque físico ou verbal, a colegas ou a professores, como uma prática disseminada da qual a plateia referida pode ser vista como um corpo de aprendizes já em plena atividade.

Mais que isso, eles estão imitando procedimentos que estão se dando de muitas formas e em muitos lugares, não só nas chamadas classes C e D, como era o caso, mas nas A e B, na escola, nos debates, nas instituições, na rua. Gozar mais a derrota do time adversário do que a vitória do próprio time é um dos sintomas dessa síndrome. Quem quiser entender isso precisa escapar da lamentação moral de classe média sobre a falta de educação nas famílias. Não que ela não exista, e não seja um dos focos da questão, mas é que ela faz parte de uma rede de identidades que se constituem precariamente sobre a relação rivalitária de indivíduos e grupos cuja afirmação de existência depende da negação frontal do outro. É uma queda do laço simbólico que supõe a troca e a aceitação da própria fragilidade, das próprias insuficiências e das próprias contradições.

A cultura alta levada para jovens plateias pobres (no caso, Nazareth!), pode fazer o papel de ingênua, nesse contexto em que os muros e os fossos reais e imaginários prevalecem. Mas a questão, para mim, continua sendo a de ultrapassar os muros e os fossos, nas duas direções.